dezembro 2, 2025

ABACT e ApexBrasil anunciam renovação do projeto Latitude e revelam investimento recorde em internacionalização

Plataforma de promoção da arte brasileira completa 14 anos sob gestão ABACT com R$ 4,1 milhões em apoio desde 2017

São Paulo, dezembro de 2025 – O Projeto Latitude – Platform for Brazilian Art Galleries Abroad, iniciativa da ABACT (Associação Brasileira de Arte Contemporânea) em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), anuncia a renovação de seu convênio para o  biênio 2025-2027. O novo ciclo consolida a trajetória de sucesso da plataforma, que registrou em 2024 um apoio recorde de R$ 910.399,70 concedido às galerias associadas em feiras internacionais, impulsionando a visibilidade da arte brasileira no exterior.

O valor de apoio concedido em 2024 superou o recorde anterior, registrado em 2021 (R$ 569.161,05). No total, o Projeto Latitude já concedeu mais de R$ 4,1 milhões em apoio para participação em feiras internacionais desde 2017, concedendo mais de 400 apoios a galerias. O foco do programa é gerar oportunidades de negócio e ampliar a presença brasileira nos grandes mercados internacionais.

Novo convênio e metas estratégicas

A renovação do convênio com a ApexBrasil, em vigor a partir do mês de novembro, estabelece metas ambiciosas para o próximo biênio. O projeto Latitude, que já trouxe mais de 300 convidados internacionais para suas Art Immersion Trips (AITs) desde 2011, busca:

  • Ampliar a presença brasileira nos grandes mercados internacionais;
  • Inserir mais galerias no esforço exportador, com foco na profissionalização em comércio internacional;
  • Ampliar o número de destinos de exportação;
  • Realizar seis Art Immersion Trips para aproximar players internacionais do ecossistema brasileiro;
  • Realizar um Estudo de Inteligência sobre um dos mercados definidos como secundários (Bélgica, Coreia do Sul, Emirados Árabes e México).

A ABACT reitera que o convênio é um instrumento jurídico que viabiliza a administração de recursos públicos para o desenvolvimento da capacidade exportadora das empresas brasileiras, sob um regime de cooperação mútua, com prestação de contas semestral à ApexBrasil.

Destaque para exportação e feiras internacionais

Em 2024, a atuação do Projeto Latitude contribuiu para um total de US$ 100,5 milhões em exportações no setor. O apoio concedido em 2024 beneficiou um total de 43 galerias associadas a marcar presença em importantes eventos internacionais. O auxílio financeiro, que pode variar de 20% a 50% do valor do estande, de acordo com o nível de internacionalização da galeria, é crucial para sua inserção no mercado externo.

Entre as feiras com destaque em 2025, galerias associadas participaram da Frieze London (Portas Vilaseca, Fortes D’Aloia & Gabriel, Nara Roesler, Simões de Assis e Mitre) e da Frieze Masters (Galleria Continua, Zielinsky, Almeida & Dale, Galatea e Luisa Strina). Em Paris, a Art Basel reuniu A Gentil Carioca, Galleria Continua, Fortes D’Aloia & Gabriel, Mendes Wood DM e Luisa Strina. Outras feiras na capital francesa também contaram com a participação brasileira: a Martins&Montero esteve na Paris Internationale – conhecida por seu foco em galerias emergentes e projetos experimentais; a Verve na Mira Fair; e a Vermelho na Paris Photo.

Em dezembro, será a vez do projeto apoiar a presença de 20 galerias brasileiras em Miami por ocasião da Art Basel Miami Beach, de 5 a 7 de dezembro de 2025, e da Untitled Art, de 3 a 7 de dezembro de 2025, com destaque para a participação da ArteFASAM. Sua presença na Untitled Art representa um primeiro passo da galeria mineira rumo à consolidação no cenário internacional. A escolha por Miami é estratégica, dado que a cidade se firmou como um dos principais polos internacionais de arte contemporânea, conectando as Américas e atraindo o olhar global.

"Mesmo diante das incertezas econômicas e políticas que marcam o cenário mundial, a galeria aposta no crescimento e na expansão de suas ações. Avançar neste momento é reafirmar a convicção de que a prática artística permanece como uma força de construção cultural e simbólica, capaz de atravessar crises e conectar mundos", afirma Vanessa Monteze, Sócia-Diretora da ArteFASAM. "Nesse sentido, o apoio do Latitude foi decisivo, pois a Untitled Art Fair se apresenta como uma porta de entrada ideal para galerias em ascensão, oferecendo notável visibilidade a artistas emergentes."

Ricardo Sardenberg, presidente da ABACT, destaca a importância da renovação e do investimento recorde: "O novo convênio com a ApexBrasil atesta a maturidade do Projeto Latitude e o crescimento da arte brasileira no cenário global. O apoio recorde que concedemos em 2024 é um reflexo do aumento da demanda e da nossa missão em dar suporte efetivo às galerias. A continuidade do projeto nos permite não apenas ampliar a presença nos grandes mercados, mas também inserir mais galerias no esforço exportador, garantindo a profissionalização e a sustentabilidade do setor."

Clarissa Franco, nova gestora do projeto na ApexBrasil, reforça o impacto da parceria:

"A renovação do convênio com a ABACT é estratégica para a ApexBrasil. O Projeto Latitude provou ser uma plataforma eficaz na geração de valor e na promoção da imagem do Brasil no exterior por meio da arte contemporânea. O setor tem demonstrado um forte potencial de exportação, e as novas metas estabelecidas para o biênio 2025-2027 focarão em intensificar essa atuação e abrir novos destinos de exportação para o nosso produto cultural."

Sobre a ABACT

A ABACT - Associação Brasileira de Arte Contemporânea, é uma entidade sem fins lucrativos que representa cerca de 60 galerias de arte contemporânea no Brasil e promove ações de profissionalização e incentivo à desburocratização do setor, além de ações educativas e de conexão entre os agentes de mercado nacional e internacional. Nos últimos anos, o protagonismo da ABACT nas ações de internacionalização das galerias brasileiras se deu de forma mais intensa através do Projeto Latitude, desenvolvido em parceria com a ApexBrasil, com canais de comunicação e cronograma próprios de atuação.

Sobre o Latitude – Platform for brazilian art galleries abroad

O projeto setorial Latitude – Platform for brazilian art galleries abroad foi criado em 2007 com o apoio da ApexBrasil com intuito de promover a internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea. Desde abril de 2011, sob a gestão da ABACT, o projeto experimentou uma evolução e crescimento notáveis. O número de empresas participantes aumentou de 5 para 53. Suas ações diversificaram-se, adaptando-se às necessidades de cada galeria. Foram conduzidas sete Pesquisas Setoriais sobre o mercado de arte e 283 convidados internacionais participaram de 24 Art Immersion Trips. O Latitude lançou o edital Intercâmbio de Curadores, com oportunidade de pesquisa no Getty Research Institute. O interesse internacional pela arte brasileira continua forte. O Latitude fortalece o setor através de ações comerciais, que promovem a imagem do país em feiras internacionais; atividades estruturantes, como planejamento estratégico e capacitação; e estratégias de comunicação, garantindo a visibilidade da arte brasileira.

Sobre a ApexBrasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial, como missões prospectivas, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. A agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil, com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.

Informações para a imprensa sobre a participação das galerias brasileiras

Tabula Comunicação
tabula@tabulacom.art

novembro 7, 2025

The Ground Beneath the Global: Listening at the São Paulo Biennial

by Denise GadelhaArtist, researcher e independent curator

As I write, the headlines pulse with a countdown to COP30, as Brazil begins to welcome its first guests. These stories move through me, shaping the air of this moment. Among the many possible frames from which to approach the 36th São Paulo Biennial, I was compelled to walk the paths that lead to questions of foreignness — and of our biomes.

The 36th São Paulo Biennial, Not All Travelers Walks Roads— Of Humanity as Practice, curated by Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, presents itself as a manifesto for encounter and listening. Rooted in the etymology of humanity — humus, the soil —it affirms that our persistence, and that of other species, depends on recognizing that union is not a choice but a condition of existence.

As the world’s second-oldest biennial, São Paulo’s is vast and porous, set within the city’s largest urban park and welcoming nearly a million visitors — most of them local, including more than a hundred thousand students. To curate here is to engage with a civic organism: collective, plural, and alive. Listening, in this context, also means acknowledging the work of the institutional teams — communication, design, education — who transform curatorial intent into shared experience.

Yet this is where the Biennial’s theme falters. Ndikung removed wall labels in the name of “direct experience,” assuming an ideal visitor confident enough to navigate alone. The opening days, however, were marked by confusion: maps ran out, QR codes failed, and neither map nor catalogue was yet online.

Geographer Milton Santos (1926–2001) described globalization as a tension between verticalities — global flows — and horizontalities — lived local experience. Ndikung’s Biennial leans toward the vertical: its preparatory Invocations were held in four countries, none of them Brazil, and their video records remain untranslated. No itinerant editions were announced, breaking a tradition that once extended the show’s reach across the country. If listening is a form of grounding, this Biennial seems, at times, to speak more to its global peers than to the local community that sustains it.

Registro da obra Onde nos alinhamos – caminhos de.Mestre Didi, de Moisés Patrício, na 36ª Bienal de São Paulo. 15/09/2025 © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo

Public and press criticism had an effect: labels and maps returned, the website was updated, and by late October the Biennial introduced Iara, an AI guide accessible via QR code — a curious swing from absence to overmediation. It’s like tuning an old radio: too much one way, then too little, until the signal comes clear.

None of this, however, eclipsed the strength of the works themselves. They breathe — alive, urgent, rooted in the present.

At the entrance, Moisés Patrício’s Brasilidades makes no effort to conceal the threshold; it exposes it. Liturgical objects from Candomblé, cast in clay and partly engulfed by concrete, fossilize ancestral temporality within modernist materiality. Placed where park meets pavilion, the work renders the institutional boundary porous, confronting who defines “Brazilianness” — and what remains unseen within power structures.

Just inside the building, Precious Okoyomon’s Sun of Consciousness. God Blow Thru Me – Love Break Me extends the Biennial’s fascination with soil while revealing its contradictions. Evoking the Cerrado — a biome where roots plunge deep to reach groundwater through long dry seasons — Okoyomon’s mist-fed garden, sealed under glass, rests on shallow soil under artificial light. Containing such life recalls the colonial genealogy of the greenhouse, built to domesticate and display the “exotic.” Deprived of depth, wind, and sun, the plants seem to strain under glass — a failure of bio-empathy, an inability to hear vegetal life beyond metaphor. By contrast, Denilson Baniwa’s Kwema/Amanhecer, from the previous Biennial, grew outdoors on the pavilion terrace — a maize field that embodied time, sustenance, and collective ritual: a horizontal practice that treated life not as object, but as collaborator.

Registro de obra de Precious Okoyomon na 36ª Bienal de São Paulo. 02/09/2025 © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

Far more grounded — literally and metaphorically — Gê Viana responds to these tensions through collage, both visual and sonic. Her installation A Colheita de Dan vibrates with low bass frequencies, fusing reggae rhythms with ancestral drums and turning the pavilion floor into a resonant membrane. Reworking colonial iconography of Brazil as seen through foreign eyes, Viana performs “traumatic updates”: erasing caravels, re-shoeing the Black bodies once depicted barefoot, restoring dignity. Her radiola — a monumental sound-system altar — houses archival photographs from Maranhão’s Afro-diasporic musical culture: carnival, reggae gatherings, communal rituals. Each image is treated as a sacred icon within a collective amplifier, where sound becomes a vehicle of memory and repair.

The Cerrado resurfaces as a living collective through the atelier-school Sertão Negro, founded by Dalton Paula and Ceiça Ferreira in Goiás. Rooted in quilombo and terreiro traditions, the collective cultivates an ecosystem of ancestral practices where ceramics, printmaking, capoeira and agroecology intertwine with film, residencies and community exchange. At the Biennial, a semicircular wall of taipa de pilão encloses its space; behind it, a vitrine presents works created within the atelier-school, while a film program and ten activations unfolding throughout the exhibition period invite visitors into this embodied field of making. Here, perhaps, the Biennial’s call for “humanity as verb” finds one of its most vital expressions.

Ativação – Sertão em nós: Reverberações do Programa de Residência Artística do Sertão Negro, no térreo, durante a 36ª Bienal de São Paulo. 07/09/2025 © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo

Also echoing the Cerrado, though in another register, collectivity takes form through the memory of matter itself. In Many Names, Sallisa Rosa summons an ancient knowledge to raise spiral structures built directly on the exhibition floor — as if shaped by the land’s first inhabitants. Her work asks whether matter can guide the gesture, and the answer seems to emerge from the branches and vines she weaves by hand. Each carries its own memory — curves inscribed by wind, light, and time — teaching her, through touch, how to braid them into a resilient structure. The process, stripped of tools or fixings, awakens a dormant mode of making — knowledge stored in both collective memory and material itself. All the wood was gathered in Ibirapuera Park, from fallen or pruned trees, so the act of building begins with an act of recognition: reading the territory around the exhibition.

If Rosa listens to the fallen branches of Ibirapuera, Rebeca Carapiá ventures into the forest itself. Encountering the paxiúba—or walking palm (Socratea exorrhiza)—at Inhotim, she later traveled to the Amazon to study its habitat and the motion of its aerial roots, which shift and renew as the shaded ones decay. In her copper and iron sculptures, these lessons unfold as sinuous lines that extend, retract, and weave through space like living maps of adaptation. Her Como criar raízes aéreas conjures a metallic family of palms that seems to breathe, a landscape both organic and forged — alive with the tension between resilience and transformation.

To honor the paxiúba is to celebrate the courage to abandon rotten roots and grow toward the sun. In this, Carapiá’s work becomes a quiet allegory for the Biennial itself — and perhaps for Brazil’s unfinished entanglement with the foreign. Even under the banner of decolonial discourse, old hierarchies persist, cloaked in new vocabularies. The challenge, as her walking palm reminds us, is not to disguise the root, but to let it move.

agosto 15, 2025

The Invisible Forces Shaping Global Art

by Brunno Silva

Supporting and acquiring artwork internationally involves far more than finding the right piece or connecting with a new artist. Often the biggest challenges are transport, insurance, and customs regulations—complications that hit artists and galleries alike.

Beyond logistics, connecting international collectors and curators with artists from vastly different backgrounds requires strategy and dedication. It's important to find universal entry points before diving into cultural specifics. Consider a politically charged photograph from a Brazilian protest. Instead of immediately addressing Brazilian politics, an entrance point can be the photography itself: technique, visual language, historical context of the medium.

Once engaged with familiar elements, conversations naturally deepen. Instead of throwing someone into the deep end of a foreign culture, it's about building stepping stones. The contemporary art audience is naturally curious—what's often missing is the time and empathy needed to create proper cultural bridges.

Despite unprecedented access to global cultures through social media, our engagement remains surface-level. Contemporary art offers unique access to artists' inner worlds, but meaningful cultural bridging requires something increasingly rare: time and attention.

This insight drove the creation of Art100.in, a platform for genuine, long-form interviews where artists from the Brazilian art scene can give us insight into their practice, process, and cultural context to global audiences. Each conversation becomes a cultural bridge, each documented artist a gateway to understanding contemporary Brazil and the world as well, as many of these conversations have been shaped by foreigners living in Brazil and Brazilians that became foreigners. Quickly these borders become much less defined than we might be accustomed to.

Ready to dive deeper? Explore the Art100.in project and discover how contemporary Brazilian artists are navigating—and reshaping—the global art landscape.


About Art100.in

Brazil is a country rich in culture and diversity, and its artistic production is one of the most expressive in the world. However, this production is often restricted to the national territory without the recognition and visibility it deserves internationally. In this scenario, the project Art100.in arises, idealized by the curator, art consultant and writer Brunno Silva, to promote international exposure and access to Brazilian contemporary art.

The project presents a selection of 100 emerging and established Brazilian artists in the country’s contemporary art scene, exploring their stories, media and techniques. Through interviews published weekly, Art100.in offers the public the opportunity to get to know the richness and diversity of Brazilian artistic production, allowing Brazilian cultural value and importance to be appreciated and celebrated.

Brunno Silva is a curator, art consultant, and writer based in Berlin and southern Italy. He holds a Master’s degree in Art Business from the Sotheby’s Institute of Art in London, where he lived for two years. Specialised in contemporary art curation, his practice focuses on installations, moving image, sculpture, and photography. As a consultant, he advises collectors primarily based in Italy, the UK, and the United States. His international background informs a transcultural approach to curatorial projects. His current initiative, Art100.in—set to launch in September 2025—features interviews with 100 Brazilian artists, introducing Brazil’s vibrant art scene to an international audience.

maio 14, 2025

Forms of the Anthropocene, by Lucas Albuquerque

Thinking about the future of art is not the same as thinking about the future—especially in the face of climate challenges, where the only certainty about tomorrow is uncertainty itself. Dreaming of futures may even become an escapist strategy in response to the challenge of truly acting in the present. Paraphrasing Donna Haraway, in the refusal of “terrible or Edenic pasts and apocalyptic or redeeming futures,” what remains is the recognition of ourselves as “mortal critters entwined in myriad unfinished configurations of places, times, matters, meanings.”

It is on this unstable ground that contemporary artistic practices assert themselves as privileged observatories of planetary transformation. Mapping these forms is no longer an encyclopedic exercise but a critical gesture: the creation of an expanded poetic bestiary capable of guiding us through a dark ecology where microplastics, radioactive fungi, and ancestral knowledge collide.

In this scenario, this text outlines four modes of the Anthropocene—ways of being present as both observer and agent. Moving between speculative and urgent practices, between systemic critique and sensitive fabulation, these artists underscore the importance of artistic practice in times of crisis, acting as seismographs of the tremors that unsettle the ground.


1. Materialities and Historical Vectors

From the ore extracted from the earth to the underwater fiber-optic cables that anchor digital culture, every material carries traces of power, violence, and imagination. Revisiting these elements—clay, sugar, iron—also means revisiting the historical vectors that have shaped them: colonial cycles of extraction, industrial economies, global logistics flows.

Noara Quintana. Belle Époque dos Trópicos, 2021

Rubber becomes both raw material and object of inquiry for Brazilian artist Noara Quintana, who has explored in recent years how the rubber cycle fostered a series of cultural exchanges between Europe and Brazil—particularly the northern region. In the project Belle Époque of the Tropics (2021), Quintana inverts the direction of the cultural arrow, creating decorative forms from natural elements while rethinking how European cultural movements were influenced by Brazil, rather than the other way around.

Vivian Caccuri. A Soul Transplant, 2019. Cortesia A Gentil Carioca, Ft. Hendrik Zeitler.

Vivian Caccuri, in turn, follows the sonic traces of another being—170 times smaller than an average human—yet deeply embedded in the global imaginary of Brazilian tropicality: the mosquito. Whether in sound installations such as A Soul Transplant (2019), which explores the interdependencies between humans and mosquitoes, or in the Sonograms series (2021–2025), where mosquito nets become a plastic weave for sound strips, these beings evoke fragments of the Global South’s sanitary history while teasing the threshold between sensory pleasure and discomfort.

2. Food Politics

Interested in the entanglement of food with its modes of production, transport, and consumption, these artists investigate how such issues intersect with personal and collective narratives. Their practices seek to expose the political vectors that link food to struggles over land, water use, labor, and culinary memory—either directly or metaphorically.

From a decolonial and ecological perspective, Peruvian artist Daniel de La Barra explores visual production systems that have historically—or still today—instrumentalized nature and its elements for the purposes of exploitation. In paintings that dismantle colonial-era propaganda and denounce agribusiness models, botanical and animal representations are removed from their usual frameworks of domination and begin to speak to their conditions of extraction and abuse.

Daniel de la Barra. Arroz español, 2022. Courtesy of Galeria Joan Prats.

In Brazil, artist Felipe Rezende uses truck tarpaulins as a base for oil paintings that address labor conditions—both formal and informal—across the country. On the rough fiber of these materials, scenes from the food production chain tear through the fabric, making visible the realities often eclipsed by capitalist systems. More recent installations incorporate fertilizer boxes and soil, delving deeper into agribusiness cycles and their environmental impact.

Felipe Rezende. Toda sorte de Remendos, 2024.

3. Morphologies of Heat

The rise in the planet’s average temperature is not merely a numerical fact; it is a force that stretches, warps, and fractures bodies, landscapes, and narratives. The poetics of heat concern bodies that overflow, pushing against the boundaries of their physical and symbolic limits. By working with materials shaped by heat or fire—or by reflecting on the limits of expanded figuration—these artists turn thermal sensation into a measure of reality.

Diambe’s sculptural practice emerges from the stacking of tubers and fruits that, when joined together, form a body. Molded and cast in bronze, they become perennial. However, her sculptures have gradually grown more amorphous, as if smeared with a viscous liquid that simultaneously corrodes and fuses them into a body where each part becomes indistinct. While tips and surfaces protrude in places, the whole is crystallized in the act of its own disintegration.

Diambe. Mãe-Mar, 2024.

Darks Miranda, meanwhile, creates fictions of a space-time that is both a distorted reflection of our own and an intrinsic part of it—as her creations affirm her presence within it. Born from the ghost of Carmen Miranda, Darks immerses her poetics in science fiction to conjure deviant ecologies and shifting grounds that grow denser as the viewer embarks on the journey. In this environment, the artist crafts fictions of gender and identity that emerge amid elegies for the synthetic.

Darks Miranda. Por trinta dias, molhe com leite de vaca no qual três morcegos tenham se afogado, 2023.

4. Tropical Technologies

On the fringes of hegemonic technological discourse, artists are developing hybrid devices that merge folk knowledge, electronic tinkering, and hacked software. These tropical technologies—a subject I have researched in recent years—make inventiveness not only a response to high material costs but also a means of engaging with other logics of meaning-making within the ecologies, cosmologies, and cultures of the Global South.

Biarritzz. No Hay Descobrimiento, 2020. Video, intervenção

In Brazil, biarritzzz’s practice stands out for its treatment of visual dissent through the lens of the poor image—visual modes that prioritize circulation and sharing over resolution, such as memes, gifs, and low-resolution videos. From this perspective, the artist examines how these forms reflect the Global South’s status as a digital periphery. At the same time, hyper-decorativeness and glitch aesthetics merge in a refusal of hegemonic models, generating narratives that both reflect history and imagine its digital afterlives.

Froiid. O pulo do Gato, 2023-2025. Exibida no Memorial Vale em 2023.

Another artist exploring artificial creation technologies is Froiid, from the state of Minas Gerais. In works such as O Pulo do Gato (2023–2025), recently exhibited in São Paulo and Paris, the artist feeds AI systems with rap lyrics and beatbox rhythms, which are then interpolated and reimagined through automated beats that echo Brazilian social critique. Other recent works, including those presented at the 14th Mercosul Biennial, continue this research, drawing on references from both Brazilian art and popular culture.

maio 6, 2025

Nova York se torna epicentro da arte com circuito de feiras e participação brasileira

Frieze, 1-54, Conductor e TEFAF reúnem galerias de diversos países, incluindo representantes do Brasil impulsionados pelo projeto Latitude

30 de abril de 2025 – A temporada de feiras de arte em Nova York, impulsionada pelo Latitude, parceria entre a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e a ABACT, terá seu ponto alto a partir de 7 de maio com a Frieze, no The Shed, Hudson Yards. O evento reunirá 65 galerias de 25 países, incluindo sete brasileiras: A Gentil Carioca, Central, Fortes D'Aloia & Gabriel, Mendes Wood DM, Mitre, Nara Roesler e Vermelho.

Antes, a temporada começou em Chicago, com a Expo Chicago (24 a 27 de abril), que contou com as galerias brasileiras Almeida & Dale e Nara Roesler no setor principal, e Bianca Boeckel, Mitre e Verve no setor Exposure.

Quase simultaneamente, a Galeria Karla Osorio participa da 1-54 New York (8 a 11 de maio), no Halo, com foco em arte contemporânea africana e da diáspora. Já a Conductor Art Fair, no Brooklyn (8 a 11 de maio), reunirá artistas da maioria global, incluindo a brasileira Carmo Johnson Projects exibindo o MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin, que teve mostra individual no Masp em 2023 e participação especial na Bienal de Veneza em 2024.

A TEFAF New York, de 9 a 13 de maio no Park Avenue Armory, completará o circuito com 91 expositores de 13 países, incluindo as brasileiras Nara Roesler, Luciana Brito Galeria e Gomide&Co, além da italiana Galleria Continua, com sede em São Paulo. A feira abrangerá arte moderna e contemporânea, joalheria, design e antiguidades.

“Em tempos de incerteza econômica, destaca-se a atuação estratégica da galeria Nara Roesler nos EUA. Há 10 anos a galeria mantém uma sede no bairro de Chelsea em NY, fator que facilita a circulação de obras e otimiza sua participação em múltiplas feiras no país, evitando custos tarifários no transporte internacional”, comenta Anamaria Boschi, Gestora  do Projeto Latitude.

“Segundo o relatório Art Market Report 2025, promovido pelo Arts Economics, os Estados Unidos lideraram o mercado de arte norte-americano em 2024, com 43% do total mundial, movimentando US$ 24,8 bilhões. Nesse contexto, as feiras de arte seguem como importantes canais de venda e conexão com colecionadores internacionais", comenta Karen Hayashi, Especialista de Indústria e Serviços da ApexBrasil.


Sobre a ABACT
A ABACT - Associação Brasileira de Arte Contemporânea, é uma entidade sem fins lucrativos que representa cerca de 60 galerias de arte contemporânea no Brasil e promove ações de profissionalização e incentivo à desburocratização do setor, além de ações educativas e de conexão entre os agentes de mercado nacional e internacional. Nos últimos anos, o protagonismo da ABACT nas ações de internacionalização das galerias brasileiras se deu de forma mais intensa através do Projeto Latitude, desenvolvido em parceria com a ApexBrasil, com canais de comunicação e cronograma próprios de atuação.

Sobre o Latitude – Platform for brazilian art galleries abroad
O projeto setorial Latitude – Platform for brazilian art galleries abroad foi criado em 2007 com o apoio da ApexBrasil com intuito de promover a internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea. Desde abril de 2011, sob a gestão da ABACT, o projeto experimentou uma evolução e crescimento notáveis. O número de empresas participantes aumentou de 5 para 53. Suas ações diversificaram-se, adaptando-se às necessidades de cada galeria. Foram conduzidas sete Pesquisas Setoriais sobre o mercado de arte e 283 convidados internacionais participaram de 24 Art Immersion Trips. O Latitude lançou o edital Intercâmbio de Curadores, com oportunidade de pesquisa no Getty Research Institute. O interesse internacional pela arte brasileira continua forte. O Latitude fortalece o setor através de ações comerciais, que promovem a imagem do país em feiras internacionais; atividades estruturantes, como planejamento estratégico e capacitação; e estratégias de comunicação, garantindo a visibilidade da arte brasileira.

Sobre a ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial, como missões prospectivas, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. A agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil, com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.


Serviço

Expo Chicago [24–27.04]
Navy Pier, 600 E Grand Ave, Chicago, IL 60611, EUA

Frieze New York [7–11.05]
The Shed, 545 West 30th Street, Nova York, NY 10001, EUA

1-54 NY [8–11.05]
Halo, 28 Liberty Street, Nova York, NY 10005, EUA

Conductor Art Fair [8-11.05]
Powerhouse Arts, 322 3rd Ave., Brooklyn, NY, EUA

TEFAF New York [9–13.05]
Park Avenue Armory, 643 Park Avenue, Nova York, NY 10065, EUA

Informações para a imprensa sobre a participação das galerias brasileiras:

Tabula Comunicação
Thais Gouveia
tabula@tabula.com.art

março 31, 2025

Curadores dos EUA fazem imersão na arte brasileira

Projeto Latitude traz especialistas para vivenciar a cena artística de São Paulo e gerar negócios na SP-Arte

31 de março a 04 de abril de 2025

Três curadores dos Estados Unidos visitam São Paulo entre 31 de março e 5 de abril de 2025, como parte do programa Art Immersion Trip, uma iniciativa do projeto Latitude. O grupo é formado por Christian Ramirez, curadora de iniciativas de arte contemporânea e comunitária no Phoenix Art Museum (Arizona); Jorge Rivas, diretor e curador-chefe do St. Louis Art Museum (Missouri); e Jose Roca, curador no Hirshhorn Museum (Washington) e co-curador da Bienal de Bogotá (setembro de 2025). O Latitude é uma parceria entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT). 

“Com o objetivo de proporcionar uma vivência da cena artística brasileira, a programação inclui visitas a instituições como Pinacoteca de São Paulo e MASP, além de coleções privadas e estúdios de artistas representados por galerias filiadas ao Projeto Latitude”, conta Anamaria Boschi, gerente do Projeto. A iniciativa visa potencializar parcerias internacionais e gerar novos negócios durante a SP-Arte, principal feira de arte contemporânea do país, que acontece de 2 a 6 de abril no Pavilhão da Bienal.

"Acreditamos que a vinda desses três curadores, cuja área de atuação inclui Estados Unidos e Ásia, viabilizada pelo Latitude, fortalecerá a presença de artistas e galerias brasileiras no mercado global, consolidando a imagem do Brasil como um importante polo de produção artística contemporânea", declara Maria Paula Velloso, gerente de Indústria e Serviços da ApexBrasil.

Conheça os três participantes desta edição:

Christian Ramirez é curadora de iniciativas de arte contemporânea e comunitária do Phoenix Museum, desenvolve e lidera um programa institucional para promover iniciativas artísticas locais, regionais e comunitárias. Suas responsabilidades incluem a criação de exposições, instalações, programas públicos e programas de incubação. É responsável também por aumentar a presença de artistas jovens nas exposições e coleções do Museu, com foco específico em obras de artistas historicamente excluídos das coleções de museus nos Estados Unidos.

Jorge Rivas é diretor e curador-chefe do St. Louis Art Museum (SLAM). Chegou ao SLAM vindo do Museu de Arte de Denver, onde atuou como curador de arte latino-americana. Supervisiona os oito departamentos curatoriais do SLAM, bem como os de preparação e instalação de arte, conservação, registo e exposições. Desenvolve e lidera a implementação de um plano diretor para a coleção do museu. De 1999 a 2013, trabalhou como curador de arte colonial espanhola da Coleção Patricia Phelps de Cisneros e dirigiu a maior coleção de arte colonial espanhola nos Estados Unidos. Como parte da expansão abrangente do campus do museu, em 2021 supervisionou a renovação das galerias de arte latino-americanas.

Jose Roca é curador geral da Estrellita B. Brodsky de arte latino-americana e da diáspora latina no Hirshhorn Museum, Washington, EUA e foi Diretor Artístico da rīvus, 23ª Bienal de Sydney, Austrália (2022). Junto com sua companheira Adriana Hurtado, fundou e administrou o FLORA ars+natura, um espaço independente de arte contemporânea em Bogotá (2012-22). Foi Curador Adjunto da Estrellita B. Brodsky de Arte Latino-Americana na Tate, Londres (2012-15), curador da coleção LARA, Cingapura (2012-20), e administrou o programa de artes do Banco de la República em Bogotá (1994-2008).

As seguintes galerias filiadas participam da presente edição da Feira:

AM Galeria, Anita Schwartz Galeria de Arte, Andrea Rehder Arte Contemporânea, ArteFASAM, Athena, Aura, Bianca Boeckel, Carbono, Casa Triângulo, Central, Dan Contemporânea, Fortes D’Aloia & Gabriel, Galatea, Galeria Eduardo Fernandes, Galeria Estação, Galeria Leme, Galeria Luisa Strina, Galeria Lume, Galeria Marcelo Guarnieri, Galeria Marilia Razuk, Galeria Raquel Arnaud, Galleria Continua, Gomide&Co, Janaina Torres Galeria, Luis Maluf Galeria de Arte, Luciana Brito Galeria, Martins&Montero, Mendes Wood DM, Mitre, Nara Roesler, Pinakotheke, Portas Vilaseca Galeria, Quadra, Sardenberg, Silvia Cintra + Box4, Simões de Assis, Vermelho, Verve, Zielinsky e Zipper Galeria.


Sobre a ABACT

A ABACT - Associação Brasileira de Arte Contemporânea, é uma entidade sem fins lucrativos que representa cerca de 60 galerias de arte contemporânea no Brasil e promove ações de profissionalização e incentivo à desburocratização do setor, além de ações educativas e de conexão entre os agentes de mercado nacional e internacional. Nos últimos anos, o protagonismo da ABACT nas ações de internacionalização das galerias brasileiras se deu de forma mais intensa através do Projeto Latitude, desenvolvido em parceria com a ApexBrasil, com canais de comunicação e cronograma próprios de atuação.

Sobre o Latitude – Platform for brazilian art galleries abroad

O projeto setorial Latitude – Platform for brazilian art galleries abroad foi criado em 2007 com o apoio da ApexBrasil com intuito de promover a internacionalização do mercado brasileiro de arte contemporânea. Desde abril de 2011, sob a gestão da ABACT, o projeto experimentou uma evolução e crescimento notáveis. O número de empresas participantes aumentou de 5 para 53. Suas ações diversificaram-se, adaptando-se às necessidades de cada galeria. Foram conduzidas sete Pesquisas Setoriais sobre o mercado de arte e 283 convidados internacionais participaram de 24 Art Immersion Trips. O Latitude lançou o edital Intercâmbio de Curadores, com oportunidade de pesquisa no Getty Research Institute. O interesse internacional pela arte brasileira continua forte. O Latitude fortalece o setor através de ações comerciais, que promovem a imagem do país em feiras internacionais; atividades estruturantes, como planejamento estratégico e capacitação; e estratégias de comunicação, garantindo a visibilidade da arte brasileira.

Sobre a ApexBrasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial, como missões prospectivas, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. A agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil, com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.


Informações para a imprensa
Tabula Comunicação
tabula@tabulacom.art

setembro 11, 2024

Embaixada brasileira em Londres é vitrine para a arte contemporânea nacional

Segunda edição da Breeze apresentará o trabalho do artista mato-grossense Hal Wildson

HAL
Hal Windson, Re-Utopya, 2021

O projeto Latitude - Platform for Brazilian Art Galleries Abroad e a Embaixada do Brasil em Londres promovem, entre os dias 3 e 31 de outubro, a mostra Breeze, que tem por objetivo promover a arte contemporânea brasileira nos mercados internacionais. Esta será a segunda edição da Breeze, que seleciona uma galeria brasileira para exibir uma exposição no coração de Londres, em meio ao período mais movimentado do ano para o mercado de arte no Reino Unido, durante a Frieze London, importante feira internacional que acontece entre 9 e 13 do mesmo mês.

Fruto da parceria entre a ABACT - Associação Brasileira de Arte Contemporânea e a ApexBrasil - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, o Latitude é um programa voltado para o apoio à internacionalização do setor de artes visuais brasileiro e conta hoje com cerca de de 60 galerias de arte participantes, localizadas em sete estados brasileiros e no Distrito Federal. Desde 2011, já foram realizadas 48 ações em mais de 26 diferentes feiras internacionais e as exportações das galerias apoiadas pelo projeto já ultrapassam os US$60 milhões.

“Eventos internacionais como a Breeze são importantes para apontar as tendências do setor e essenciais para alavancar novos negócios, aumentando a inserção dos artistas e galeristas brasileiros no cenário mundial, que é o maior objetivo do programa Latitude”, destaca Jorge Viana, presidente da ApexBrasil.

Marco Antonio Nakata, membro do júri da Breeze e diretor do Instituto Guimarães Rosa, órgão do Ministério das Relações Exteriores responsável por difundir as artes e a cultura brasileiras no exterior, ressalta que as artes visuais brasileiras têm tido uma presença internacional muito forte nas últimas décadas. “Desde o período em que Lygia Clark e Hélio Oiticica começaram a se tornar conhecidos no exterior, há uma tendência contínua de influência de artistas brasileiros no cenário internacional, ainda que este hoje seja muito mais fragmentado e competitivo", afirma.

Galeria Lume

A galeria selecionada para a Breeze neste ano foi a Lume, que passou pelo crivo de um comitê internacional formado por Adrian Locke, curador-chefe da Royal Academy of Arts;

Marco Antonio Nakata, diretor do Instituto Guimarães Rosa; Catherine Petitgas, historiadora da arte, colecionadora e conselheira institucional; Tamar Clarke-Brown, curadora na Serpentine Galleries, Caroline Carrion, CCO da Bienal de São Paulo; Carsten Recksik, editor na ArtReview; Frances Reynolds, do Instituto Inclusartiz; Jenny White FRSA, presidente da Fundação Sasakawa da Grã-Bretanha; Michael Asbury, curador, escritor e palestrante na UAL e  Paulo Vieira, advogado e diretor executivo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Fundada em 2011, em São Paulo, com a proposta de fomentar o desenvolvimento de processos criativos contemporâneos e dirigida por Paulo Kassab Jr. e Victoria Zuffo, a Lume representa um seleto grupo de artistas já estabelecidos e emergentes e busca estabelecer  o diálogo entre a produção de seus artistas e instituições como museus e coleções de relevância. A galeria se disponibiliza como espaço de reflexão e discussão, recebendo  palestras, performances, seminários e apresentações artísticas de naturezas diversas, além de marcar presença ativa e orgânica no circuito de feiras nacionais e internacionais.

“É um imenso orgulho para a Lume representar a produção contemporânea brasileira através da obra do Hal Wildson, um artista de fora do tradicional circuito das grandes metrópoles, com uma formação autodidata e um trabalho tão significativo e atual. Ter a validação de um corpo curatorial respeitado e competente é um reconhecimento muito importante”, comemora Victoria Zuffo.

Hal Wildson

A Lume exibirá “Reflorestar nossa gente”, uma exposição individual de Hal Wildson, artista multimídia e poeta nascido em 1991 no vale do Araguaia, região de fronteira entre Goiás e Mato Grosso. A partir de sua vivência no sertão do Centro-Oeste, marcada pela configuração de sua família mestiça e marginalizada, o artista investiga a construção do Brasil confrontando os projetos de identidade, memória e esquecimento que sustentam a história oficial na medida em que busca respostas sobre a própria origem.

Através de objetos simbólicos oficiais e de processos de documentação que foram utilizados nas últimas décadas - como a datilografia, datilograma, carteiras de identidades, carimbos - materiais e processos técnicos utilizados para documentar o oficial e portanto capazes de forjar a mitologia e a história de um país e marcar a individualidade, o artista se utiliza dos recursos de documentação do oficial para questionar os projetos de “memória e esquecimento” aplicados como políticas de controle social, em um trabalho que ousa confrontar e disputar o poder do simbólico como alternativa para criar realidades mais justas.

“Ainda que meu trabalho parta desse lugar de luta que eu habito no Brasil, acredito que é mais que urgente que o mundo refloreste o próprio imaginário. No meu trabalho, falo sobre as diversas camadas de violência escondidas através de projetos de apagamento, sobre as democracias e uma consciência ambiental ligada a nossa própria humanidade, penso que esses são caminhos importantes para debatermos, em um mundo que cada vez mais tensionado pelo negacionismo e a extrema direita na política”, afirma Wildson, que tem expectativas muito positivas para sua primeira exposição internacional.

Os trabalhos de Hal Wildson que serão apresentados na Breeze serão escolhidos através da curadoria de Lucas Albuquerque, bacharel em história da arte e mestre em processos artísticos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, curador da Casa Museu Eva Klabin (Rio de Janeiro) e com passagens pela Galeria Aymoré, Instituto Inclusartiz, Delfina Foundation, Frac Bretagne, Homessessions e Rijksakademie. Realizou ainda a curadoria de diversas exposições nacionais e internacionais e desenvolveu a pesquisa “As relações entre melancolia e nostalgia no filme Sixty six”, sobre o cineasta americano Lewis Klahr.

“A história latino-americana convoca, ainda, a se pensar paralelos entre narrativas de imigrantes dentro da malha social britânica, entendendo os pontos de contato e diferença das conquistas e resistências desenhadas em torno de outras colônias europeias ao redor do mundo. Afluente, tal como as ramificações do Rio Araguaia: é assim que Hal Wildson traça a história de seu povo”, destaca o curador.

Cronograma

  • Breeze - período expositivo: 26/09 a 31/10 2024
    • Evento de Abertura - 03/10
  • Frieze London - 09 a 13/10
  • 1-54 London - 10 a 13/10

Sobre a ABACT

A ABACT - Associação Brasileira de Arte Contemporânea, é uma entidade sem fins lucrativos que representa cerca de 60 galerias de arte contemporânea no Brasil e promove ações de profissionalização e incentivo à desburocratização do setor, além de ações educativas e de conexão entre os agentes de mercado nacional e internacional. Nos últimos anos, o protagonismo da ABACT nas ações de internacionalização das galerias brasileiras se deu de forma mais intensa através do Projeto Latitude, desenvolvido em parceria com a ApexBrasil, com canais de comunicação e cronograma próprios de atuação.

Sobre a ApexBrasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial, como missões prospectivas, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. A agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil, com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.

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